Você sabe. Acho que sempre soube. Eu tinha medo de gostar de alguém, de me envolver, de me mostrar sem disfarces. Amar dá um medo danado. De perder a liberdade, a identidade, de se machucar, de não saber mais voltar. Eu estava na melhor fase da vida. Tinha certeza do que queria, estava bem comigo, com minha mente, com meu corpo, com meus sonhos. Não precisava de mais ninguém, não sentia falta de nada, nem mesmo de mim. Eu me tinha. Me curtia. Gostava da minha companhia. Então você chegou tão suave. Foi devagar, sem que eu tivesse tempo de pensar ou fazer conjecturas malucas. Chegou sincero. E me deu a certeza de que quando alguém te quer faz de tudo pra te conquistar. Eu, que era expert em lidar com cafajestes, fiquei com o pé atrás. Não sabia se aquilo tudo ia pra frente ou se era só mais uma curtição. Então, mais uma vez, percebi que eu estava na melhor época. E vi que não sentia falta de nada. Quando a gente se conheceu me deu um embrulho no estômago. Depois, fui me acalmando. Aos poucos, as coisas foram entrando nos eixos. Você segurou a minha mão, me beijou, te abracei, você beijou a minha testa. E ali selamos alguma coisa que eu não sabia o que era. Naquele momento, surgiu a cumplicidade. E uma vontade enorme de que o tempo parasse por alguns segundos. Minutos. Horas. Dias. Meses. Anos. Daquele dia em diante, nunca mais nos separamos. Daquele dia em diante, várias conversas falavam do presente. E muitos beijos anunciavam um futuro que nos esperava de braços abertos. Comecei a perceber que eu não me conhecia tanto assim, pois quando você chegou descobri que faltava tudo. Encontrei e reencontrei pedaços meus. Me vi em seus olhos, em seus abraços, em suas palavras. Me vi de novas formas. Formas tão boas. Formas tão minhas, tão suas. Descobri que posso muito mais do que imagino. E que nunca vai faltar um abraço para me acolher, um apoio para me encorajar, um carinho para me encontrar. Já passamos por tanta coisa juntos. Isso faz com que nosso amor fique mais e mais bonito. Mais e mais forte. Mais e mais sereno. Hoje, quando deito a cabeça no travesseiro, sinto seus braços me envolvendo. E eu nem preciso pensar em nada para pegar no sono. Ele vem de forma natural. Porque não me falta mais nada.
Demos certo, só que o nosso relacionamento não durou para sempre. Mas ele foi, de longe foi a minha paixão mais intensa, o meu desejo mais urgente e o maior amor que eu tive na vida. Ele é a minha saudade mais bonita e a minha melhor recordação. É o cheiro mais doce que já senti, a voz mais suave que já ouvi, o olhar mais marcante e o sorriso mais lindo que já vi. E sempre que eu pensar nele vai ser com carinho, sem mágoa (porque minha mala é pequena e eu não carrego bagagem desnecessária) e sabendo que valeu a pena tudo o que vivemos. Algumas pessoas chegam em nossas vidas destinadas à irem embora e sabemos disso, a gente só torce para que por um descuido no destino, essa pessoa, não tenha que partir, ou que pelo menos o dia de sua partida demore a chegar, mas no fundo eu sabia que ele iria, e que se ele não fosse, em algum momento, eu teria que ir. E eu to indo, levando comigo muito dele, mas deixei com ele uma parte - talvez a mais importante - de mim: o meu coração. É dele, e foi a vida quem quis assim. Mesmo que talvez ele não saiba cuidar direito, é preciso que fique com ele, até que um dia eu volte pra busca-lo, ou que ele me procure para devolvê-lo, porque isso também faz parte do ciclo da vida. Eu não estou indo porque deixei de ama-lo, nem porque duvido do amor dele. Eu estou indo porque chegou a hora da nossa despedida. De seguirmos por caminhos opostos. Eu soltei a mão dele porque a minha vida pede outras estradas, pede passos mais longos, e talvez ele não consiga me alcançar novamente. O que é uma pena. Mas a vida segue. E eu sigo com a certeza de que eu dei o melhor de mim, que eu mergulhei fundo, me esforcei ao máximo e quase consegui segurar os ponteiros do relógio do nosso amor para que essa hora não chegasse, mas sozinha as minhas forças eram poucas. Talvez, se ele tivesse segurado junto comigo, tivéssemos conseguido. Ou não. Porque eu já ouvi dizer que o tempo é o senhor do destino, e não há quem possa lutar contra ele. Se é verdade, não sei. E agora não temos mais como descobrir. É hora de ir. Espero que ele se cuide, que me guarde com carinho e que em algum lugar dentro dele sobre espaço pra abrigar a certeza de que eu o amo muito.
Muita gente se preocupa em ser magro, mas não se preocupa em ser leve.
Minha vida é um livro ainda não concluído.
Você é uma droga! Mas bem que eu gostaria de ter uma bela overdose de você.